quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

FELIZ HANUKKAH!



FESTA DE HANUKKAH
Há dois tipos de milagres evidentes nos escritos bíblicos. Em primeiro lugar, o mais óbvio, a intervenção miraculosa de D-us, nas circunstâncias do homem, onde as leis naturais são soberanamente invalidadas, e o segundo, que é o milagre menos óbvio ou “oculto”. O último é menos óbvio porque segue uma série de eventos “naturais”, e os homens, de modo freqüente e com sucesso, tentam explicá-los atribuindo-lhes causas naturais. Quando celebramos Hannukah, lembramos de como ocorreram ambos os tipos de milagres no devido tempo original, e como eles ainda nos afetam hoje.

OS DOIS MILAGRES

No tempo da revolta hasmoneana dos Macabeus contra as forças seleucidas sírio-grega, nós vemos a intervenção de D-us de ambas as maneiras. Sob o comando de Antíoco Epifânio, os seleucidas tinham profanado o Templo de Jerusalém e estavam tentando forçar a observância de leis contrárias à Torah, pelo povo judeu em Israel. Após a reconquista do Templo, os hasmoneanos o purificaram e o restauraram. Todavia, somente um único receptáculo de azeite não contaminado foi encontrado com o selo do Sumo Sacerdote ainda intacto. Era o azeite usado na lâmpada do candelabro, necessário na cerimônia de rededicação do Templo purificado para o culto a D-us. Ao invés de ser consumido num único dia, como era de costume, ele queimou por oito dias completos, enquanto um suprimento novo de azeite puro era preparado. Ficou evidente que este foi um milagre divino, digno de ser lembrado por todas as gerações futuras.

O Talmud focaliza principalmente este milagre do óleo e apenas menciona brevemente a grande vitória militar dos Macabeus. Todavia, o milagre “oculto” da vitória hasmoneana é tão vital e pertinente para nossa geração, quanto foi na época, e continua sendo através dos anos sucessivos da história judaica. É interessante comparar os fatos e situação do conflito Macabeu com os vividos pelo recém criado estado de Israel, e que continua através de guerras subseqüentes até os dias atuais.

Os cinco irmãos Macabeus, liderados por Yehudah, e seu pequeno bando lastimável de judeus eram predominantemente estudiosos da palavra e totalmente inábeis na arte da guerra. Não estavam equipados militarmente e eram em número inferior. Seus adversários eram altamente treinados, experientes, completamente armados e se compunham de legiões equipadas de lutadores de um contingente aparentemente sem fim. Era um ato de coragem e determinação, este pequeno grupo de homens, ousar desafiar seus opressores gregos. O fato de ter vencido, face a tal número de opressores, libertando do jugo pagão e libertando a sua amada terra judia, foi inegavelmente um milagre da intervenção divina


A FESTA DA DEDICAÇÃO

É registrado em João 10:22-30, que Yeshua estava em Jerusalém ensinando no Templo durante a Festa da Dedicação. A palavra hebraica “hannukah” significa “dedicação”. Como Ele falou neste cenário, poderia o conhecimento de Sua crucificação iminente – (quando ofereceria Sua vida como o sacrifício último, perfeito) – ter sido na parte mais avançada de Sua consciência?

O conceito de sacrifício foi claramente ilustrado na auto-dedicação dos Macabeus, que estavam dispostos a dar sua vida para combater as forças de assimilação de sua geração. Isto tem ecoado em muitos judeus, bem como nos mártires cristãos através da história, que desejavam literalmente oferecer suas vidas como sacrifício ao invés de renunciar à Torah, à Palavra Viva, ao D-us verdadeiro. As palavras escritas do Senhor confirmam o mesmo conceito para nós crentes nos dias atuais em Romanos 12:1,2: “apresenteis os vossos corpos como sacrifício vivo...”

Mas, hoje, quem é o Templo do Espírito Santo de D-us? Será que só dedicarmos (consagrarmos) as paredes de nosso Templo e os objetos que nele há seria suficiente para agradar a D-us?

Mas, o que a Palavra diz:...”ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possui por parte de D-us e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a D-us no vosso corpo.” (I Coríntios 6:19,20).

Se Salomão em I Reis 8:63 consagrou a Casa do Senhor, sendo nós a “casa” do Espírito de D-us, não poderíamos fazer o mesmo? Paulo nos exorta a dedicarmo-nos (consagrarmo-nos) ao Senhor sem distração alguma (I Coríntios 7:35). É maravilhoso para nós crentes entendermos a importância de dedicar ou consagrar nosso corpo neste período do ano. Claro, que devemos viver todos os dias do ano consagrados a D-us!

Mas, muitas vezes nos relaxamos e somos contaminados pelas coisas que vêm do mundo. O sistema do mundo é perverso e nos agride de todas as formas. Embora não somos um com ele, vivemos nele. Por esta razão, aproveitamos esta ocasião para declarar frente ao mundo que somos filhos de D-us, e que a nossa “casa“ terrena, nosso corpo, pertence ao Senhor. Que lindo! Paulo diz que o dia que esta “casa” terrena se desfizer, teremos uma casa eterna nos céus e esta não precisará mais de consagração, com certeza. (II Coríntios 5:1)
A FESTA DAS LUZES

Em Hannukah, é costume para aqueles que moram em Israel, caminhar pelas ruas de Jerusalém e descer os becos estreitos de pedra da Velha Cidade, para ver as vacilantes luzes de Hannukah colocadas nas janelas, ou do lado de fora das portas de muitas casas. Estes sinais nunca deixam de aquecer nossos corações! À medida que os dias da celebração correm, uma vela adicional é acesa, a cada tarde, até que na oitava e última noite, há uma temível chama da luz dourada.

Esta é uma lembrança tranqüilizadora da maneira como nosso Pai amoroso revela Seus propósitos para nossas vidas, bem como na história redentora de Israel e do mundo, esta de acordo com uma progressão gradual. Ele nos guia através de Seus tempos e ciclos ordenados de estações, e assim Ele “nos conforma à imagem de Seu filho”, e ao permitirmos que a vida de Yeshua flua através de nós, nos tornamos conscientes do fruto do Espírito crescendo em nossas vidas. Gradualmente aprendemos a permitir Sua luz brilhar mais e mais no “auto-controle, humildade, fé, bondade e misericórdia, longanimidade, paciência, paz e alegria”, só iluminadas por Seu amor. Assim como a lâmpada central do candelabro Hannukah, “Shamash”, “Servo”, é usada para acender as outras – assim Seu amor é o centro de toda a obra do Espírito em nossas vidas (Gálatas 5:22). Só poderemos brilhar se refletirmos a luz de Yeshua e, sobretudo, produzirmos o fruto do Espírito, o caráter dEle. Imbuído deste Espírito, feliz Hanukkah!
Escrito por Marcelo M. Guimarães

sábado, 26 de novembro de 2011

"Trazendo a memória o que nos dá esperança"

O MESSIAS É A LUZ DO MUNDO


“BEIT CHAVERIM SHALOM ISRAEL”

MINISTÉRIO PARA LEVAR A LUZ DO MESSIAS AO POVO JUDEU.

POR QUE PARA O POVO JUDEU?

Por que falar de Jesus de Nazaré; O Messias de Israel ao povo judeu?

Essa pergunta paira na mente da igreja evangélica nos dias atuais!

Por que há tanto receio em aproximar-se do povo judeu?

O Cristianismo nasceu do judaísmo. O Messias era judeu, os primeiros discípulos eram judeus, as promessas de Deus estavam inseridas no contexto judaico. No decorrer dos anos na história da igreja, por uma série de fatores, o povo judeu foi sendo negligenciado. A razão vai desde a falta de informação até o anti-semitismo declarado.

O povo judeu tem sido recriminado por ter rejeitado o Messias!

O que é esquecido é a que a reação de Israel com relação ao Messias não “pegou Deus de surpresa!”. Ele sabia disso e por isso falou do remanescente - Rm 9: 10,11. É preciso conscientizar-se que ninguém reconhece seu caminho de trevas até o dia em que seja confrontado com a luz!

Se a ordem de Mateus 28: 19 é alcançar o mundo, um grupo tem sido negligenciado, evitado e esquecido – o povo judeu – aqueles a quem revelou as Escrituras, o Salvador e a Salvação (Rm.4:5; Jo 4:22). A razão para testemunhar ao povo judeu, primeiro, está no compromisso de testemunhar das Boas Novas a todo homem; segundo, Deus deu ordens expressas para o testemunho aos judeus (Rm. 1: 16 c/ Mt 28:19); terceiro, Deus assegura um remanescente que crerá no Messias – Rm 11.

Compreender sua dor e sofrimento por causa da perseguição e ataques leva a entender a atitude hostil ao evangelho. Ao longo dos anos coisas horríveis foram feitas contra o povo judeu em nome de Deus, levantando assim fortes barreiras que tem impedido o judeu de chegar a fé no Messias, o qual os profetas tanto falaram!

A IMPORTÂNCIA DA PREDIÇÃO MESSIÂNICA


A Importância da predição Messiânica

A maior razão de se enxergar a Bíblia hebraica como um documento messiânico é que isso aparenta ser o melhor caminho para se explicar a evidencia das escrituras a si mesmo. James Hamilton observa que a especulação messiânica extensiva do período interstamental ,Segundo templo do judaísmo ,e o Novo testamento indicaria que estas especulações estão enraizadas na Bíblia hebraica. Ele põem de lado “a possibilidade que as pessoas antigas eram burras.”o que aparenta ser uma suposição implícita de um bom negócio das escolas modernas. “Em vez disso ele trás a hipótese de que a melhor explicação para a congruência de todas estas fontes antigas citadas nas mesmas passagens bíblicas como messiânicas é que elas foram sempre messiânicas em significado e intenção. Ele é preciso em postular” O Antigo Testamento é um documento messiânico, escrito de uma perspectiva messiânica, e sustenta uma esperança messiânica. ”Esta é similar a conclusão de John Sailhmer,quando ele escreve para colocar de uma maneira tradicional (simples),aparenta que o melhor modo de entendimento da Bíblia como um todo é ver o Antigo Testamento como prevendo a vinda do Messias e o Novo Testamento revelando a Ele como sendo Jesus de Nazaré .Um cometimento com a fidelidade à exegese da bíblia Hebraica deve favorecer a interpretação messiânica .

Uma segunda razão para tratar a Bíblia Hebraica como um documento messiânico é que ela provê a maior parte das apologéticas bíblicas para Jesus como Messias. Sem a evidencia do Tanak,seria impossível identificar Jesus como O prometido. Consistentemente os apóstolos sustentaram que Jesus de Nazaré era o Messias... aquele que Moises escreveu à respeito na Lei (e também os profetas)” (João1:41,45).

Esta foi à perspectiva que eles aprenderam de Jesus quando Ele disse “Todas as coisas escritas sobre mim na lei de Moisés, os Profetas devem ser cumpridos” (Lucas 24:44) afirmando que a esperança messiânica é uma apologética do Novo testamento que Jesus é o Messias prometido. Por esta razão, os apóstolos, pastores de igrejas, o homem da igreja medieval, os teólogos bíblicos, apologéticos, e missionários todos reconheceram a importância da profecia messiânica.

Além da importância da profecia messiânica como apologética bíblica, uma terceira razão é crucial para tratar a bíblia hebraica como messiânica é que isso permite que os seguidores de Jesus tenham confiança na bíblia como palavra inspirada por Deus. Os cumprimentos específicos das predições messiânicas confirmam que a bíblia diz por si mesma que é um livro inspirado.

Os profetas hebreus não poderiam ter dito de antemão a vida, o ministério, morte e ressurreição de Jesus separado da inspiração do Espírito Santo. Portanto, reconhecer as predições messiânicas da bíblia hebraica irá fortalecer a confiança na Bíblia como único, livro inspirado que revela o que Jesus de Nazaré realmente prometeu é o prometido Messias de Israel e do mundo.

A quarta razão para profecia messiânica é tão essencial é como a estrutura em identificar Jesus como Messias. Quando João Batista estava na prisão e teve dificuldades e duvidas sobre Jesus, ele enviou seus discípulos até Jesus com uma questão .Eles perguntaram, “Você é Aquele que está por vir,ou devemos esperar por outra pessoa?.”(Mat.11:3)Jesus respondeu (Mat.11:4-5) referindo-se aos seus cumprimentos das predições de Isaias sobre o Messias (Isa 35:5-6 e 64:1-4). Fundacional para nossa confiança e salvação na pessoa e trabalho de Jesus o Messias que Ele cumpriu as palavras dos profetas. Assim estudantes contemporâneos continuam a reconhecer Jesus como ambos Senhor e Messias, eles falham ao ver a importância de que Jesus Ele mesmo deu a profecia messiânica como prova de sua própria identidade.

Vendo o Antigo Testamento como texto messiânico não é meramente um assunto de diferentes interpretações, Invés disso é de crucial importância como profecia messiânica é vista e irá afetar o entendimento evangélico de inspiração e interpretação das escrituras e defesa do evangelho e a identificação de Jesus como o Messias prometido.

domingo, 6 de novembro de 2011

NOSSA FESTA DE ROSH HASHANAH

A TRANSBORDANTE GRATIDÃO DA RESTAURAÇÃO




Salmo 65 - A Transbordante Gratidão da Restauração

Uma das grandes necessidades dos hospitais é um banco de sangue. Por isso, diariamente, pessoas se dirigem aos hemocentros a fim de, em ato altruísta, fornecer gratuitamente o que irá salvar a vida de outras pessoas. Mas, dificilmente, a história de algum doador poderá se equiparar à de Rose McMullin. Por ter um sangue raro, capaz de resistir ao staphylococcus aureus – uma bactéria que tem desenvolvido resistência à penicilina e que é responsável por diversas infecções que podem evoluir para uma septicemia –, ela doou sangue para mais de quatrocentas transfusões em quarenta Estados americanos. Às vezes, ela estava doando sangue em um extremo dos Estados Unidos, quando era chamada às pressas para atravessar o país a fim de doar na outra costa americana. Certa vez, na cidade de Portland, doou sangue para duas transfusões simultâneas. Essa senhora é considerada um fenômeno no universo médico.

Apesar de não compreendermos como seu sangue era capaz de resistir àquela bactéria e como seu corpo podia doar tanto sangue sem que a doadora corresse ela mesma algum risco, podemos compreender muito bem a gratidão das centenas de pessoas que ela ajudou a salvar. A maioria delas devia estampar um grande sorriso no rosto, talvez em meio a olhos marejados, e dizer: “Graças à bondade daquela mulher, estou hoje vivo”. Que gratidão elas deviam sentir!

O povo de Israel também deveria viver em gratidão a Deus. Refiro-me à ação benevolente do Senhor dando o necessário sustento pela colheita abundante dos agricultores israelitas. Como essa era uma previsão da aliança mosaica – boa colheita em resposta à obediência à aliança (Dt 28.1-5) e fome como resposta à desobediência (Dt 28.24 cf. v.15) –, houve vezes, como nos dias dos profetas Elias (1Rs 17.1; 18.2) e Joel (Jl 1.10) em que não existiram colheitas e a fome estava por toda parte. Nos dias de Davi, também teve fome enviada por Deus (2Sm 21.1,14). O Salmo 65 foi escrito no final de uma dessas ocasiões, quando o pecado do povo fez Deus lhes tirar o sustento. Diante do perdão divino e da restauração do sustento, o salmo serviu de instrumento de louvor a Deus pelo perdão e pela colheita, ambos vindos da sua bondade e do seu poder. Sendo esse um salmo de louvor efusivo, sua forma chama a atenção dos leitores para elementos do verdadeiro louvor.

O primeiro elemento do verdadeiro louvor é a dependência da graça restauradora. O primeiro verso do salmo começa com um problema para os tradutores que leva os exegetas a assumir posições diferentes quanto ao que Davi teria escrito. Entretanto, o texto trazido pela Bíblia hebraica encontra paralelos dentro do próprio saltério. Literalmente, Davi diz (v.1): “Para ti o silêncio é um canto de louvor, ó Deus” (leka dumîyâ tehillâ ’elohîm). Houve outras ocasiões em que, em meio ao sofrimento, Davi aguardou em silêncio a salvação de Deus (Sl 62.1). Sofrer o dano em atitude correta, cuja dependência do Senhor grite em meio ao silêncio, é um modo de glorificar a Deus. E o sofrimento não era pequeno, pois o próprio salmista chegou a fazer um voto ao Senhor, assumindo certos compromissos, para que Deus abrandasse a punição. Agora que o sofrimento se foi, Davi diz: “Um voto a ti será cumprido” (leka yeshullam-neder).

Entretanto, o verdadeiro louvor brota do perdão que Deus concede aos pecadores. O pecado realmente estava presente, pelo que Davi confessa (v.3): “Os atos de iniquidade foram mais fortes do que eu” (divrê ‘aônot gavrû mennî). Essa era a razão de desventura pela qual os israelitas passaram. Vale observar que, apesar de Davi confessar seu pecado, o contexto mostra que ele não era o único envolvido nesse mal, visto que a seguir ele faz referência às “nossas culpas”. Mesmo assim, a dependência da graça restauradora de Deus não se mostrou inútil, pois, diz o salmista a Deus: “Tu perdoas nossas culpas” (pesha‘ênû ’attâ tekafferem). Essa realidade é o motivo inicial da alegria israelita (v.4): “Feliz é aquele a quem tu escolhes e aproximas a fim de habitar nos teus átrios” (‘ashrê tivhar ûtqarev yishkon hatsereyka).

O segundo elemento é a devoção ante a soberania de Deus. A primeira parte do salmo fala do perdão de Deus. Mas quem veria tal ação? Na verdade, nesse caso, o perdão de Deus foi visto na reversão das forças da natureza que estavam servindo de punição. Dar ordens à natureza e ela obedecer é algo que demonstra uma soberania inigualável que somente Deus pode ter. Por parte do homem, só resta a ele se admirar diante de tal poder e temer o Deus que age assim (v.5) “Tu nos respondes com feitos temíveis” (nôra’ôt betsedeq ta‘anenû). Tal temor deve levar, imediatamente, o servo de Deus ao louvor e à devoção do Todo-poderoso. É exatamente o que acontece no caso do salmista que se dirige ao Senhor nos seguintes termos: “Ó Deus da nossa salvação, ó esperança de todos os confins da terra e dos mares distantes” (’elohê yish‘enû mivtâ kol-qatswê-’erets weyam rehoqîm). Os vv.6-8 somente completam essa ideia enaltecendo o poder e controle de Deus sobre a criação, incluindo os grandes poderes da natureza como a firmeza das montanhas e a força dos mares. A mera reflexão sobre a grandeza e a soberania divina produz adoração no servo.

O terceiro é a declaração dos feitos divinos. Tão logo Davi tenha refletido no poder ilimitado do Senhor sobre tudo que existe, ele fala claramente dos feitos de Deus em resposta ao perdão que concedeu aos israelitas. Se um dos castigos previstos na aliança mosaica era a seca que gerava fome, Deus abençoa, agora, com a chuva (v.9): “Tu atentaste para a terra e a regaste” (paqadta ha’arets watteshoqqeha). A chuva é o meio que leva a uma colheita abundante. Assim, a sequência narrativa mostra que, se Deus, antes, cortou a colheita dos agricultores e das suas famílias, agora ele a devolveu: “Tu asseguraste o cereal deles” (takîn deganam). E ainda (v.10): “Favoreceste a plantação” (tsimhah tebarek). Com a farta produção do cereal, Deus também lhes concedeu a vida. Essa é uma bênção muito grande para ficar fora do louvor. Na verdade, essa gratidão específica pelos feitos divinos em favor dos homens é um dos obrigatórios elementos do louvor ao Todo-poderoso Pai da misericórdia.

Finalmente, o quarto elemento do verdadeiro louvor é o deleite do culto exultante. No final do salmo (vv.12,13), Davi lança mão de um recurso literário chamado “personalização”, em que objetos inanimados são descritos como agentes atuantes. Nesse caso, os personagens são os “montes”, os “pastos” e os “vales”. Davi diz: “Os montes se vestem de júbilo” (gîl geva‘ôt tahgornâ), “os pastos se cobriram [com] o rebanho” (lovshû karîm hatso’n), “e os vales se revestiram de cereal” (wa‘amaqîm ya‘atfû-bar). Assim, Davi se refere à fertilidade agropecuária produzida por Deus. Contudo, a personificação não termina por aí, pois o salmista completa: “Eles bradam alegremente, bem como também cantam” (yitrô‘a‘û ’af-yashîrû). Na verdade, não eram os montes, pastos e vales que estavam alegres e cantavam, mas os israelitas, a começar pelo próprio salmista – veja-se que, no título do salmo, Davi o descreve com um “cântico”. Desse modo, percebe-se que o louvor e a gratidão a Deus sempre se dão em meio à disposição alegre, exultante, e não em tristeza, enfado e sentimento de fazê-lo obrigado. A adoração a Deus é um momento de júbilo para os verdadeiros adoradores, os quais foram abençoados e redimidos por seu Senhor.

Quem pode ser impassível diante da graça de Deus a nós? Quem pode cultuá-lo fria e mecanicamente depois de ser salvo pelo Filho que foi dado pelo Pai como sacrifício por nossos pecados? Quem seria ingrato a esse ponto? A resposta natural a essas perguntas retóricas mostra que, quando os crentes participam dos cultos ao Senhor Todo-poderoso com indiferença, é porque se esqueceram do quanto dependem de Deus, do perdão gratuito que lhes concedeu e por tudo que fez e faz pelos seus. Se o tédio, o egoísmo, a atitude crítica e a indiferença são as marcas do louvor a Deus, a última coisa que pode ser dita sobre isso é que se trata de um “verdadeiro louvor”. De fato, isso se chama “ingratidão”.

Pr. Thomas Tronco

domingo, 23 de outubro de 2011

CHAG SUKKOT SAMEACH


FESTA DE SUKKOT

Cinco dia depois inicia-se Sukkot, descrita na Bíblia (Levítico 23:34) como “Festa das Cabanas (Tabernáculos)”. Sukkot era uma das três festividades celebradas, até o ano 70 E.C., por peregrinação em massa ao Templo de Jerusalém, e por isso chamadas “as festividades de peregrinação”. Em Sukkot os judeus comemoram o Êxodo do Egito (aprox. séc. XII a E.C.) e rendem graças pela colheita abundante. Em alguns Kibutzim, Sucot é celebrada como Chag Haassif (festa da colheita), cujos temas são a segunda colheita de cereais e das frutas do outono, o início do ano agrícola e as primeiras chuvas.

Nos cinco dias entre Iom Kipur e Sukkot, em dezenas de milhares de lares e estabelecimentos comerciais são erguidas sukkot - cabanas temporárias, semelhantes às cabanas nas quais os israelitas viviam no deserto, após o Êxodo do Egito; compram-se as espécies necessárias ao rito especial da prece festiva: a palma (folha de palmeira), o cidrão, ramos de murta e galhos de salgueiro. Em todos o país, vêem-se sukkot, até mesmo em estacionamentos, nos telhados das casas, gramados e lugares públicos. Elas estão presentes em todas as bases militares. Alguns israelenses passam literalmente os sete dias da festividade vivendo em suas sucot.

Em Israel, apenas o primeiro dia é “santo” dentre os dias de Sukkot (isto também acontece nas outras duas festividades de peregrinação, Pessach e Shavuot). As comunidades da Diáspora observam dois dias santos, costume originado da antiguidade, quando o cálculo da data exata era feito no Templo e seu resultado anunciado à Diáspora, através de um sistema de aviso constituído de sinais de fogo e mensageiros.

A liturgia é aumentada com preces adicionais, inclusive o Halel, uma coletânea de bênçãos e salmos recitada no Rosh Chodesh ( o início de cada mês lunar) e nas festividades de peregrinação.

Após o dia santo, a festividade de Sukkot prossegue com nível menor de santidade, de acordo com o ordenado pela Torá (Levítico 23:36). Durante esta semana intermediária - meio festiva, meio comum - as escolas e várias repartições e instituições e instituições não funcionam; outros estabelecimentos encurtam suas horas de trabalho. A maior parte dos israelenses passam os dias intermediários de Sukkot e de Pessach em locais de recreação em todo o país.A semana intermediária e a festividade em geral terminam em Shmini Atzeret:” no oitavo dia, haverá santa convocação para vós” (Levítico 23:36), que coincide com Simchá Torá.

As celebrações de Shmini Atzeret / Sinchá Torá se focalizam na Torá - o Pentateuco de Moisés - e se caracterizam por danças em público, a multidão empunhando os rolos da Torá, e pela recitação dos capítulos final e inicial da Torá, renovando-se assim o ciclo anual de leitura da Torá. Após o escurecer, muitas comunidades promovem a continuação das festividades, geralmente as ar livre, sem sofrer as limitações das restrições rituais que se aplicam ao dia santo propriamente dito.