segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Salmo 4 - A Angústia do Cristão

Ultimamente, algumas notícias têm me abalado. Não me refiro a catástrofes naturais, a crimes terríveis reportados nos jornais ou ao rumo das eleições do nosso país. Estou chocado com os rumos da igreja. Digo “igreja” de um modo genérico, pois muito do que se apresenta com tal nome nenhuma semelhança guarda com a igreja de Cristo descrita nas Escrituras. São, em vez disso, covis de malandros que, com linguagem marcada por termos extraídos da Bíblia e com promessas de fazer inveja aos políticos mais mentirosos, enganam pessoas desesperadas em busca de soluções para o seu dia a dia, sem buscarem soluções para o pecado que as separa de Deus.

Fora a tristeza de ver ladrões fazerem comércio das pessoas enquanto se dizem servos de Deus, cumprindo, assim, o que foi predito por Pedro (2Pe 2.1-3), os afazeres cotidianos que se acumulam uns sobre os outros e a falta de efeito de diversos investimentos também têm me cansado e me angustiado. Coisas de tirar o sono.

Nesses momentos, eu me lembro do Salmo 4. Nele, Davi se dirige ao Senhor chamando-o de “Deus da minha justiça” e lhe diz: “Na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (v.1). Sabendo que o contexto do salmo nos leva a Davi em um momento de tristeza, preocupação e angústia, há três verdades nesse texto que sempre me alentam.

A primeira delas é que o Senhor trata os seus servos de modo especial (v.3). O texto diz que Deus “distingue para si o piedoso” (ARA) ou que ele o “escolheu” (NVI). A palavra hebraica palah, na forma em que se encontra, significa “separar” ou “tratar com preferência”. Assim, apesar de o mundo ser até mesmo inóspito para os cristãos, o Senhor nos trata da maneira característica que os pais tratam seus filhos.

A segunda é que o Senhor é o alvo da nossa confiança (vv.4-6). Nesses versículos, Davi diz que o servo de Deus não deve agir mal quando recebe o mal; antes, deve refrear seus impulsos devido ao louvor que rende ao seu Deus. Diante de uma instrução tão contrária aos impulsos humanos, ele imagina alguém se lamentando e perguntando quem, então, poderia estabelecer a justiça onde ela foi corrompida. A resposta vem na forma de uma oração em que o rei clama: “Senhor, levanta sobre nós a luz do teu rosto”. É um pedido munido de esperança na fidelidade, no poder e na capacidade de Deus de, um dia, trazer à luz a justiça que agora nos parece natimorta.

A terceira verdade é que o Senhor dá a alegria verdadeira (v.7). Davi relata, aqui, seu próprio relacionamento com Deus e sua experiência pessoal, lembrando ser ele alguém que passou por inúmeras tristezas e injustiças. Ele compara a alegria que o Senhor lhe deu à alegria dos homens quando o Senhor “lhes dá fartura de cereal e de vinho”. Uma tradução literal é: “Deste-me alegria mais do que o trigo e o vinho deles ao se multiplicar”. Em resumo, a alegria gerada pela prosperidade financeira não era superior à que Deus produzia em Davi ao se relacionar com ele.

O resultado da contemplação dessas verdades pelo salmista produzia nele o mesmo que produz em mim: paz e segurança. Isso é revelado no v.8, quando Davi diz: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro”. A insônia do rei – e a minha – são curadas ao lembrar do tratamento que recebemos do nosso Pai celestial e do relacionamento que nutrimos com ele por meio do Senhor Jesus Cristo.

Que tais verdades alentem e produzam esperança em cada um de nós, servos de Deus, e que, nas nossas horas de meditação noturna... zzzzzzzzzzzz...

Pr. Thomas Tronco

Salmo 3 - Uma Multidão Contra Mim

Em 2006, passei o mês de janeiro em Guiné Bissau, na África, junto com uma equipe que, por meio de atendimentos médicos, odontológicos e fisioterapêuticos, investiu na pregação do Evangelho. Atendi cerca de duzentas pessoas e não tenho nem ideia de quantas extrações dentais fiz – extraí nove dentes só de uma mulher. Apesar do trabalho árduo, o que mais trouxe dificuldades foi a diferença de cultura e de hábitos. Nesse aspecto, dei uma “mancada” que quase me custou uma surra de um grupo de jovens senegalezes.

Mesmo com as claras orientações do missionário que nos hospedou sobre o cuidado com as fotos, fotografei a estrutura de um mercado popular, algo parecido com barracas de camelôs, sem perceber que havia pessoas nas proximidades. Estas, ao perceberem o disparo da câmara, protestaram com veemência. Quando notei o que eu havia feito, me desculpei com eles na esperança de resolver o assunto. Mas, para meu espanto, foi chegando cada vez mais gente e cada vez mais brava. Uma missionária, então, interveio. Em lugar de melhorar a situação, outros homens se juntaram ao grupo com expressões de rancor, gritando coisas que eu não podia compreender. A única coisa que entendi, para meu desespero, foi a palavra “arrebentar”. Por fim, aos poucos fui afastado da multidão por uma pequena menina e posto em segurança dentro do carro. Que susto!

Davi teve um problema parecido, não com relação a fotografias, mas em relação à uma multidão contrária a ele. Absalão, por meio de dissimulações e tramoias, reuniu, em Hebrom, a título de uma festa pela tosquia do seu rebanho, um grupo de aristocratas e de militares de Israel (2Sm 15). Tendo combinado secretamente uma conspiração contra Davi em todo o país, no momento certo Absalão se proclamou rei em Hebrom e, ao som de trombetas tocadas do Sul até o Norte, a frase “Absalão é rei em Hebrom” foi proclamada por todo o reino. Apesar de as pessoas na festa nada saberem, as circunstâncias as obrigaram a aderir ao movimento. O mesmo ocorreu nos quatro cantos do território. Assim, em pouco tempo “tornou-se poderosa a conspirata e crescia em número o povo que tomava o partido de Absalão” (2Sm 15.12). O próximo passo de Absalão foi partir para Jerusalém a fim de tomar o trono de Davi, seu pai. Este, enquanto fugia do filho, foi ainda perseguido e atacado até por gente da própria Jerusalém (2Sm 16.5-8).

Nesse contexto, Davi exclama ao Senhor (v.1): “Como têm se multiplicado os meus inimigos; são muitos os que se levantam contra mim!” (mâ-rabbû tsaray rabbîm qamîm ‘alay). A palavra usada para “inimigos”, aqui, também pode ser traduzida como “agressores”. Tratava-se de um grupo violento. Davi tinha um histórico glorioso como guerreiro e como general. Venceu muitas vezes tropas numerosas. Mas, dessa vez, a situação era desesperadora. Quase todo o país se uniu a Absalão em um dos mais bem executados golpes de estado da História. Poucos foram os que permaneceram fiéis a Davi. Por causa disso, as pessoas olhavam para o rei e diziam (v.2): “Não há, para ele, salvação em Deus” (’ên yeshû‘atâ lô be’lohîm). Para os tais, nada podia salvar Davi.

Contrariando todas as expectativas, Davi não se desespera. Ele, em lugar disso, busca o Senhor com certas atitudes que devem ser compartilhadas por todos os servos de Deus. Em primeiro lugar, ele entrega seu caminho ao Senhor (v.3-5). Davi, falando da atuação de Deus em relação a ele diz: “Ele é ‘o escudo que me protege’ (magen ba‘adî), ‘a minha dignidade’ (kebôdî), ‘aquele que levanta a minha cabeça’ (merîm ro’shî). Com isso, Davi se esvazia da função de garantir seu próprio bem-estar, pois o responsável e o promotor desse bem é o Senhor em pessoa. Por esse motivo, Davi também não desanima, nem anda de cabeça baixa como quem não tem esperança. Imagine só o que essa esperança significa para um rei que tem de fugir da sua cidade parecendo um covarde, além de ser agredido verbalmente e se tornar alvo de pedras como se fosse um cachorro!

O rei Davi, também, durante a fuga diante dos inimigos, busca o Senhor em oração (vv.4,7). “Minha voz clama ao Senhor” (qôlî ’el-yehwâ ’eqra’) são as palavras utilizadas (v.4) para se referir à sua atitude de pedir a Deus, em oração, que faça o que ele, mesmo sendo rei, não conseguia fazer. No v.7 há um dos exemplos mais sucintos de oração e, ainda assim, mais corretos à vista da Teologia. O rei, deixando de lado a pompa, os métodos e os costumes, simplesmente se dirige a Deus com o clamor que sua necessidade exige: “Salva-me, meu Deus” (hôshî‘enî ’elohay). Não há como olhar para esse pedido sem recordar de Pedro, entre ondas bravias que o afundavam, clamando a Jesus: “Salva-me, Senhor!” (Mt 14.30). Apesar de, na hora das dificuldades, ser comum algumas pessoas se esquecerem de Deus para se concentrarem na solução dos problemas, é justamente nessa hora que os servos de Deus devem clamar “salva-me, Senhor”.

Como resultado da entrega e da oração, Davi, agora, descansa em Deus (vv.5,6). Apesar do conflito familiar, das acusações falsas e do real risco de perder a vida, ao dizer que se deita e dorme, ele completa: “Acordo porque o Senhor me mantém” (heqîtsôtî ki yehwâ yismekenî). Davi demonstra, nessa frase, não sofrer de insônia nas horas de tribulação justamente porque sabe que o Senhor atua na sua proteção e amparo. Isso o tranquiliza e o faz descansar. A coragem de Davi é fruto dessa confiança e não dos seus recursos militares. Diz: “Não temo a multidão de pessoas que me cercam” (lo’-’îrâ meribbôt ‘am ’asher savîv shatû ‘alay). Note bem: Davi escreve isso sabendo que, “de fato”, milhares de soldados estão se preparando para cercá-lo e matá-lo.

“A salvação pertence ao Senhor” (layhwâ hayshû‘â) é a declaração final do rei (v.8) mesmo quando tudo parece perdido, quando é tratado de modo indigno e vergonhoso e, ainda, quando tem todos os motivos para, humilhado e de cabeça baixa, desistir de tudo. Alguém até poderia dizer que Davi tinha “nervos de aço”, mas acho que ele não concordaria. Em lugar disso, ele falaria sobre a soberania de Deus, sobre seu amor e zelo pelos que lhe pertencem, sobre a confiabilidade de suas palavras, sobre o papel da oração e coisas do tipo. Enfim, Davi renderia toda a glória a Deus e, assim, explicaria sua confiança em um dos piores momentos da sua vida.

Recordando o susto que passei na África, quando a multidão aumentava em número e fúria contra mim, não me lembro de ter pensado em todos esses pontos teológicos extraídos do Salmo 3 – acho que isso nem aconteceu. Entretanto, seus efeitos práticos foram sentidos por mim. Se não me recordo de todos os detalhes do que pensei no momento, lembro-me como se tudo tivesse ocorrido ontem, que, como o salmista e o apóstolo, confiante no poder de Deus, clamei de todo o coração: “Salva-me, Senhor”.

Pr. Thomas Tronco

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sonhos ou Escolhas?

LEITURA DA SEMANA
Filipenses 1:1-11
Levítico 23–24
Marcos 1:1-22

"Para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis…" — Filipenses 1:10

Eu já recebi inúmeros bons conselhos em minha vida. Quase no topo da lista há uma sábia observação de um amigo: “A vida não é feita dos sonhos que você tem, mas das escolhas que você faz.”

Ele está certo — sua vida hoje é a somatória de todas as escolhas que você fez até este momento. O apóstolo Paulo deu um conselho semelhante em Filipenses 1.10, quando disse: “…aprovardes as coisas excelentes…”.

Em qualquer situação, temos uma infinidade de escolhas — variando de realmente péssimas, para a mediocridade das escolhas comuns, até atingirmos as boas escolhas, e então àquelas que são excelentes. Deus quer nos mover através dessas possibilidades, passando por cima dos nossos impulsos naturais, até atingirmos as escolhas excelentes.

Em geral, é um desafio fazer a melhor escolha, especialmente se não houver muitos outros unindo-se a nós. Às vezes, pode parecer que nossos desejos e liberdade foram reprimidos. Mas se você seguir o conselho de Paulo, notará alguns resultados bem positivos — como ser sincero, inculpável e frutífero (Filipenses 1.11).

Decida-se a viver uma vida cheia de amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22,23). Depois deleite-se com os resultados! Faça uma escolha excelente e observe o desenrolar das bênçãos.

* Você está convidado a estar conosco no encontro de sábado as 19h, você é muito bem vindo.

Pr. João Garcia

Salmo 2 - O ‘Irmão Mais Velho’ dos Servos de Deus

Nunca fui uma criança de brigar na escola. Na verdade, nunca troquei socos com ninguém na minha vida. Minhas demandas sempre foram resolvidas por meio da boca e não das mãos. Entretanto, vi muitos colegas resolverem suas diferenças “no braço”, como se diz por aí. Quando a discussão não chegava a tanto, as ameaças e palavrões eram ouvidos a boa distância. Para piorar, quase nunca a solução vinha rapidamente. Ninguém queria deixar a última palavra para o adversário. Isso fazia com que problemas bobos se arrastassem por um bom tempo em uma discussão inútil e totalmente desrespeitosa.

Contudo, um fator era capaz de amainar os ânimos e até encerrar uma briga acalorada: a ameaça de recorrer ao irmão mais velho. A discussão se mantinha em igualdade até que a possibilidade de alguém mais forte e motivado pela proteção do irmão mais novo tornava o atrito um grande risco para a outra parte. Esta, temendo ter de enfrentar alguém cuja força e tamanho fariam com que uma “surra” fosse inevitável, normalmente mostrava-se desinteressada por continuar a demanda e tratava de por fim ao embate a tempo de se livrar do pior. No final das contas, a ameaça da intervenção de um irmão mais velho servia como um agente pacificador.

Algo parecido ocorreu com o escritor do Salmo 2. Trata-se de um rei de Israel que Atos 4.25,26 identifica como o rei Davi. A situação que ele vivia, nesse momento, era o risco de uma revolta de nações (vv.1,2) que estavam sob seu domínio em uma espécie de motim (v.3). A possibilidade de elas criarem uma liga militar trazia um grande risco para o rei, chamado aqui de “seu ungido” (desde o início da monarquia em Israel, esse termo, meshîhô, é usado para se referir a reis ou futuros reis – 1Sm 12.3-5; 16.6; Sl 20.6; 28.8). A revolta dos amonitas e de povos contratados para combaterem os israelitas (2Sm 10.6) é um possível pano de fundo histórico para a composição desse salmo.

Porém, enquanto tais povos se uniam e conspiravam contra Davi (vv.1-3), aquilo que era um risco real para Israel era motivo de risos para Deus (v.4). Como um “irmão mais velho” mais forte que os outros, Deus “ri” (yischaq) e “caçoa” (yil‘ag) dos inimigos do seu protegido. Tal reação se deve ao disparate entre a capacidade dos inimigos de Davi de feri-lo e a capacidade do Senhor de protegê-lo. A diferença é tão grande que a ousadia dos ofensores causa risos em lugar de pânico. O próprio Deus demonstra o motivo de serem inúteis os planos dos povos dizendo: “Eu ungi meu rei sobre Sião, meu monte santo” (wa’anî nasaktî malkî ‘al-tsîyôn har-qodshî). Desse modo, levantar-se contra o rei de Israel era se levantar contra Deus que o colocou lá. Não é possível enfrentar um oponente como Deus.

O Senhor, então, reafirma sua benevolência para com Davi chamando-o de filho (v.7), prometendo-lhe o domínio sobre outras nações (v.8) e poder suficiente para regê-las (v.9). O rei, confiado na força do “irmão mais velho”, alerta os reis adversários a serem cautelosos (v.10) e se colocarem na posição de servos do Senhor (v.11), desistindo de atacar seu filho (v.12). Esta é, segundo Davi, a disposição e a atitude que garantirá a “felicidade” desses reis e de seus súditos.

Apesar da útil e completa lição que temos ao olhar para o texto sob esse prisma, o Novo Testamento dá uma visão mais ampla do sentido desse salmo. Vários escritores neotestamentários associam o Salmo 2 a Jesus como um cumprimento profético do que Davi escreveu. Em At 4.25,26, Pedro cita o trecho do salmo que diz “por que se enfureceram os gentios e os povos imaginaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido” e faz uma aplicação do texto se referindo a Herodes, Pilatos, gentios e israelitas que se uniram contra Jesus (At 4.27,28). Paulo e o autor de Hebreus relacionam o texto “tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei” a Jesus (At 13.33; Hb 1.5; 5.5). Além disso, menções no Salmo 2 sobre o seu reinado em Sião sobre as nações que são sua herança, seu cetro de ferro, sua ira vindoura e a felicidade para os que nele se refugiam são referências que se cumprem melhor em Cristo que no próprio rei Davi, escritor do salmo.

Quando se vê o Salmo 2 desse ângulo, novas lições para hoje nos surgem. Aprendemos que as maquinações do mundo contra o Messias são tão inertes que causam risos no Senhor. Independente dos rumos da História e do poder dos homens, o Senhor Jesus é aquele que há de reinar e possuir toda a terra. Apesar de parecer que os maus nunca são punidos, a mão do Rei pesará sobre os perversos trazendo-lhes condenação. E, mais: não importa o quanto o mundo é cruel conosco, Jesus, nosso “irmão mais velho”, é nosso refúgio e o provedor de uma vida “bem-aventurada”.

Portanto, seja sempre pacífico e cordato. Mas, lembre-se bem, se o mundo e as circunstâncias da vida lhe atacarem e quiserem “sair no braço” com você, conte sempre com o “irmão mais velho”, o Senhor Jesus, para lhe proteger e guiar, fazendo cessar as ameaças ou intervindo nelas para proteger seus “irmãozinhos mais novos” por quem deu sua vida na cruz.

Pr. Thomas Tronco

Salmo 1 - A Felicidade e o Fracasso

Quando ainda adolescente, tive uma colega que era uma grande fã do ator James Dean (1931-1955), apesar de, como eu, ter nascido muito tempo depois da morte do famoso astro “rebelde”. Por causa dela, passei a conhecer um pouco da história do ator que, ainda hoje, dá nome e tom a estilos de roupas e de penteados. James Dean, dentre os filmes que estrelou, foi o ator principal do filme Juventude transviada (Rebel whitout a cause, 1955), tornando-se modelo de uma geração de jovens que almejavam a mesma “liberdade” que ele encenava.

Apesar do estilo marcante imitado por um sem-número de jovens, o que mais me impressiona a respeito dele é algo que ele dizia fora das telas. Em sua rebeldia, que extrapolava os filmes, ele disse: “Morra jovem e tenha um cadáver bonito”. Esse pensamento justificava seu modo irresponsável de vida. Infelizmente, o fim da sua vida fez jus à sua filosofia: James Dean morreu com 24 anos em um acidente de carro. Na necrópsia, além da coluna vertebral partida e da hemorragia interna que lhe levou a vida, o médico constatou inúmeras cicatrizes no peito feitas ao apagarem nele cigarros a seu pedido em um bar de Hollywood que costumava frequentar.

Apesar de parecer a muitos que essa foi uma morte “poética” que coroou a carreira e a fama do ator, acredito que, dificilmente, James Dean pensaria o mesmo agora. Tenho por certo que seus pensamentos seriam sobre o quanto ele perdeu da vida ao morrer jovem, sobre a família que teria se estivesse vivo, sobre outros filmes que viria a tomar parte e coisas desse tipo. Mas, principalmente, o quanto era tola a “sabedoria” que ele julgava ter e que transmitiu com orgulho para outros.

O Salmo 1 demonstra que a felicidade perene tem uma fonte certa e que, fora dela, ainda que haja sucesso momentâneo, o resultado final é tristeza e dor. Na verdade, o autor do salmo traça uma nítida distinção entre o homem feliz, ou “bem-aventurado”, e o homem ímpio que vive distante de Deus.

O v.1 estipula três requisitos, na forma negativa, para a felicidade de uma pessoa. Trata-se de três “nãos”. Tal homem “não segue a proposta dos injustos” (lo’ halak ba‘atsat resha‘îm). Os ímpios aconselham-no a agir de certo modo, provavelmente igual a eles, com injustiça e engano, mas tal homem não atende seus clamores nem acolhe suas falsas sabedorias. Ele também “não permanece no caminho dos pecadores” (bederek hatta’îm lo’ ‘amad). A companhia de homens que desprezam o Senhor com seus atos não agrada o homem “bem-aventurado” de modo que não há comunhão entre eles. Seu contato com pessoas que vivem em pecado é cuidadoso e limitado. E, finalmente, ele também “não toma lugar na reunião dos cínicos” (bemoshav letsîm lo’ yashav). A falsidade e a zombaria da verdade e da justiça não são o ambiente visitado pelo homem que é bem-aventurado. Ele, cautelosamente, se mantém longe de tais ajuntamentos.

Esses três cuidados garantem uma parte da felicidade aos homens que fogem do estilo de vida mundano. A outra parte da felicidade é alcançada quando tal homem busca conhecer a vontade de Deus para cumpri-la. O v.2 diz que, em detrimento do afastamento dos caminhos que levam a uma alegria fácil e rápida, o homem que se torna feliz de verdade se aproxima da “lei do Senhor”. Essa expressão é uma referência ao ensino das Escrituras. Tal pessoa busca conhecer a vontade de Deus de modo tão sério que “medita durante o dia e a noite” (yehgeh yômam walaylâ) sobre aquilo que lê na Bíblia. A ideia expressa pelo salmista é a de alguém que fica recitando para si, sem se cansar, as verdades que aprendeu a fim de memorizá-las e compreendê-las. Isso e a consequente obediência às orientações do Senhor completam a felicidade que o mundo não pode conhecer por seus próprios meios nem oferecer a qualquer um que seja.

O resultado de se afastar do mal, e de se aproximar das orientações de Deus para atendê-las, produz no que assim age algo que pode ser expresso por meio de um símile, uma comparação entre essa pessoa sábia e uma árvore. Mas não é uma árvore qualquer. Trata-se de uma árvore em condições privilegiadas. A árvore que serve de comparação com o homem que é feliz por seguir a Deus (v.3) é plantada “perto de um ribeiro de águas”, recebendo, em termos de alimento, todos os nutrientes e toda a água de que precisa para se desenvolver. Assim como o homem cuja fonte de sabedoria é a Palavra de Deus, tal árvore produz frutos e não é vítima da seca. Essa é uma descrição da segurança figurada, mas muito clara, da segurança e da produtividade da vida daquele que ama o Senhor e segue seu ensino.

Por sua vez, os ímpios não são assim (v.4). Usando ainda uma linguagem figurada de natureza agrária, o salmista compara os injustos a “palha que o vento leva”, conferindo uma dupla ideia de transitoriedade, a saber, de ser seco e improdutivo como a palha e inaproveitável por ser levado para longe pelo vento. Não é uma comparação que transmite uma ideia de segurança e de um futuro feliz. Para que fique bem claro, o salmista abandona a linguagem figurada e é claro no ponto que defende (v.5). Diz que “os ímpios não ficarão em pé no juízo” (lô’-yaqumû resha‘îm bammishpat) porque não têm nada que lhes abone as faltas diante de Deus e que os impeça de serem condenados. O mesmo se dará com “os pecadores na reunião dos justos” (wehatta’îm ba‘adat tsadîqîm). Eles não podem permanecer ali, pois não é seu lugar. Durante toda a sua vida suas reuniões foram outras.

O salmo termina explicando, no v.6, que a razão da felicidade perene dos que o temem e da desventura dos que agora se alegram na impiedade é que “o Senhor é quem reconhece o caminho dos justos” (iôdea‘ yehwâ derek tsadîqîm). Como a segunda cláusula, que diz que o “caminho dos ímpios fracassará” (we derek resha‘îm to’ved), é contraposta por meio da partícula “mas” (we), a primeira cláusula deve ter uma ideia mais ampla que um simples conhecimento de Deus a respeito daqueles que o temem. A interpretação mais apropriada é a de que Deus age bem para com os seus, dando-lhes uma felicidade eterna, destino este bem diferente do futuro dos pecadores.

Os dois únicos futuros possíveis são “felicidade” para os que buscam a Deus, por meio da fé no Senhor Jesus Cristo, o Salvador, e “fracasso” para os que buscam alegria momentânea e a satisfação de todos os seus desejos.

Por tanto, fique alerta! Se você agora defender e seguir um estilo de vida mundano e longe de Jesus, no qual a falsa felicidade é buscada desenfreadamente a qualquer custo, seu futuro pode ser bem tenebroso. Talvez, o melhor que você possa esperar seja um “cadáver bonito”. Fuja disso crendo e entregando sua vida a Jesus!

Pr. Thomas Tronco

TEHILIM

Tehilim é o nome hebraico do livro de Salmos.

Nessa sessão são expostos semanalmente comentários devocionais dos salmos levando em conta seu contexto, a cultura judaica, a língua hebraica e a contemplação do maravilhoso Senhor Deus, criador e sustentador de tudo que existe.

Clique nos links abaixo:

NASCE UMA VISÃO

Shalom,

Nosso alvo é implantar uma Congregação para judeus e não judeus, para que possam crescer espiritualmente de uma forma sadia e madura através da "Sã Doutrina" ensinada pelas Escrituras.

Pois muitos judeus que crêem em Jesus, não tem onde buscar apoio para crescer na graça e no conhecimento do Messias.

O Eterno já nos deu um local para nos reunirmos e para que as pessoas possam ser alcançadas pelo Messias e tenham oportunidade de frequentar uma Congregação Messiânica Bíblica sem perder a identidade judaica.

Ao implantar esse ministério, cremos ser a vontade de Deus. Tenho orado muito e chorado muitas vezes diante do Senhor Jesus, nosso Messias, para que o Seu povo seja alcançado em São Paulo e no Brasil.

Ao longo destes 14 anos de ministério como Pastor Evangelista, e Capelão, Deus tem alegrado muito meu coração pelo privilégio de viver integralmente para servi-Lo através dos dons, talentos, e recursos que Deus nos dá. Nosso sonho de servir ao Senhor para alcançar o “Povo Judeu para Jesus” tem se tonado uma realidade.

Em 2008, o Senhor Jesus realizou um sonho de vinte anos que estava no meu coração de conhecer Jerusalém. Essa oportunidade só fez aumentar meu amor e minha convicção de continuar a falar do Messias para o povo judeu. Deus tem confirmado e abençoado este plano para as nossas vidas, humildemente eu me submeto a Sua vontade.

Não tenho todas as condições, nem respostas para o tamanho deste desafio, mas uma coisa eu creio, que o Senhor Jesus, o Messias de Israel tem um plano maravilhoso na vida do seu povo escolhido, em alcançar muitos judeus e não judeus para Jesus, através de implantação de Congregações Messiânicas, começando por São Paulo, e usar muitos irmãos e recursos para realizá-lo.

Este sonho é real no meu coração, e para realizá-lo temos uma “Visão” e um “Projeto” para colocar em “Ação”. Mas para fazer isso precisamos estar juntos nesta “Missão” como parceiros. Para cumprir-mos o “Ide” do Senhor Jesus, fortalecidos no Senhor e na força do Seu poder.

Por que creio que: "O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo que crê primeiro do judeu e também do grego".

PR. JOÃO GARCIA – BEIT CHAVERIM SHALOM ISRAEL – 2010

FOTOS DA BEIT CHAVERIM